quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SORTE

Para Joice e Céia: Que noss@s filh@s sejam sempre chei@s de amor...

Pijama azul, olhos borrados de balada. O toque do telefone querendo que eu esteja sexy. Sorrio de mim mesma e da completa e total falta de glamour, quero ser Carla Bruni.

Beijei algumas bocas procurando alguém que não está lá... Encontro de hálitos quentes, salivas mais ou menos densas. Um exercitar de músculos que se lambem ensaiando acrobacias dançantes. Dilatam-se as narinas que tentam absorver todo perfume dos sorrisos em flor. Ignorantes, titubeantes, não reconhecem o amor.

Em qual tubo de ensaio está a química das paixões?

Como seguir o lençol freático dos desejos amorosos?

Tateio num terreno infértil?

Tenho medos.
Sou desconfiante.

Quero lançar-me ao mar passional, mas não consigo me livrar da bússola, do colete salva vidas e eventualmente dos sapatos chumbados. Não me chamo Dorothy e nunca fui a Oz.

Cansei de ser carne, leite e avestruz. Cansei de ser mente, lente e bala de alcaçuz. – Pô, quem gosta de bala de alcaçuz?

Não nasci pra matar, pra roubar e me prostituir, porém já critiquei com ferocidade, enganei um ingênuo e confiei meu voto em político corrupto.

Transei sem amor, sem paixão, sem tesão e rejeitei um romance.

Sou estrela cuja galáxia permanece cheia de iguais em desencontros: jovens solteiros sem pares. Sou carinhosa, afetiva, quase doce, mas não consigo ser domesticada. Antítese. Paradoxal. Contraditória.

Toco em meu corpo e lhe pergunto sobre a alma que o habita. Dela observo um corpo em movimento, mas quem consegue enxergá-la além dos espelhos de meu próprio julgamento e d@s que me são querid@s?

Não sou Narciso, não caracterizo um mito nem nada. Talvez esteja apenas fluindo...

Sou aroma da dama da noite que em noites primaveris, encontra-se com as cores e as flores adolescentes de um futuro não linear. Abro um livreto de pensamentos e sorteio o meu destino. Será?


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ANO UM (3+7=1)



Hoje nasço Ano Um.
Eleva-me o pensamento e vôo. O céu está mais índigo.
Ainda não pulei com parapentes, nem me encontro em um avião.

São minhas navegações como as de Pequeno Príncipe pelo Universo e a leveza desprendendo-me dos pesares, por pesar entre desventuras e a energia vital do amor que há em minha volta e em mim.
Sinto-o como luzinhas, chuvinha dourada mágica e morna, como banho de chuva de criança deslumbrada, a não receber reprimenda por desfrutar manifestação tão natural. Coisa boa alegria de criança de olhos cheios e gulosos, pelos presentes ganhos entre cheiros, carinhos, mimos, badulaques e a primeira Bíblia completa.

 Cor de rosa, com letras gigantes.
Livro ideal para uma leitora universal. Veio ainda com uma inscrição de amor, com amor da familiar que aceitou compartilhar desta vida.

Na Bíblia não vou encontrar notícias sobre a insustentável e complicada proposta de voto misto, que aumentará ainda mais a ignorância do povo sobre nosso sistema de votação. Tampouco notícias sobre os impostos que nos comem mais de 60% dos salários, sejam os descontos em folha, mais custos fixos, mais os vinculados à nossas aquisições de consumo.

Em seu texto haverá crônicas sobre os descendentes dos filhos de Noé, de Abraão, Salomão e de Davi, cuja estratégia de seleção, disseminação e manifestação política não se distanciam do que faz a família Arraes e Campos com seus alicerces nepotistas; mas possivelmente desvinculem-se do melindre simbólico do jogo de mudanças de sobrenomes, em que filhos não usam os mesmos sobrenomes de seus pais para o marketing político.

Quero viajar nos excitantes cânticos de Salomão e sentir-me como a esposa “morena e formosa... tendo meu amado como um sequitel de mirra entre meus seios... sendo amada sobre a mesa do banquete até desfalecer-me de amor...” (Cântico 2-3, p.918) – Conteúdo para superar as séries Júlia, Sabrina, fotonovelas dos anos oitenta e Emmanuelle nas madrugadas de tv.

Entre tantas informações para saciar minha fome por aprendizagem, ao entender a Restauração de Israel Espiritual procuro restaurar meus templos: corpo e casa. Um pequeno mundo de Princesa entre baobás, vulcões e a linda rosa voluntariosa e o amigo raposa a educar; convivendo com humanos e serpentes, frutos proibidos e sementes. Sem esquecer-me da responsabilidade pelo que é cultivado.

Hoje nasço em Ano Um: cansada de guerra, mas nunca de luta; em busca de Paz entre Luz, Saber, Amor. Hoje nasço Ano Um em primavera, sem vício, sem reclame, na esperança de florir.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

É PRIMAVERA

Segunda. Madrugada.
Guardo a lembrança amarela dos ipês em flor.
Mudo as coisas de lugar e penso num amor que não está mais lá. Transa boa, papo bom, aventuras. Pretérito perfeito, lembranças sem futuro.
 Corro pelo meu mundo ainda desordenado, mas sem o caos que me habitou dias atrás. Leio um romance e em seus meados já começo a prever o fim, a moral: o amor, o perdão e as conseqüências das escolhas. Chatice. Bah.
O combustível aumentou novamente. Preciso de pneus novos e um final de semana com águas termais. Um cabernet sauvignon ao anoitecer.
O fim do décimo terceiro está em debate. Foder... É o que deixamos fazerem com nossos bolsos, carregados do gozo jorrado pelo poder, pelos interesses ocultos e não esclarecimento sobre a projeção social para tal ação. Eles penetram em nossas carteiras e no direito à escolha... Estamos na “rede” como Bullock, no filme de nossas vidas reais e do controle de nossos tostões e aquisições. Aumentaram o IPI dos carros importados. Por que não diminuem os impostos dos nacionais?  
Democracia? Estímulo à competitividade?
Meu pensamento é safado e imagino estes políticos como cachorros correndo atrás de cadela no cio antes de cada votação, enfiando seu pau armado em tudo quanto é buraco para não perder o tesão, um bacanal completo até o momento da transmissão dos trabalhos em rede nacional.
Cadê Marina Silva?
Alguém ainda vota contra burguês?
Minha fala é forte e inquietante. Ora, inconveniente e malcriada, mesmo ensinada no antigo acordo ortográfico e nos trejeitos regionais do “X”. Eu, ressignifico os pronomes e meus possessivos são compartilhados. Aprendi as palavras mágicas e meu discurso demagogo as valoriza com os alunos. Tenho manias de transgressora.
Meus filhos já não reclamam mais meu peito e seguem pro mundo que os apresentei, é deles que também me ocupo com o dever de dizer-lhes que não sou santa nem bruxa, nenhuma heroína ou cocaína, nem rainha, às vezes galinha, às vezes metafísica, e outras crítica... sou a mãe que os pariu e que lhes mostra que as coisas tem muitos jeitos e ser, precisamos olhar com olhos de quem pode ver. Se a cegueira nos toma, precisamos tatear e sentir, falar, agir.
Renasce meu comigo-ninguém-pode envolto em hortelãs... doce veneno. É. Primavera.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

QUANDO AS EXISTÊNCIAS SE ENTRELAÇAM

Sábado de Sol num setembro negro. Lancei sobre meu corpo vestes despojadas: uma saia longa preta, rasteira dourada, uma rosa vermelha ao peito.
Meu momento “Rita Baiana” com Fe Moraes de “Aluísio de Azevedo”, Céia de “das Dores” e o Mercado Público: nosso “Cortiço”.
Quando estava à vontade com minha personagem e o gingado de seu caminhar, Joel nos reconheceu e nossas histórias se entrecruzaram.


Joel com seu largo sorriso abriu minha trouxinha de fina cambraia, desdobrando paninhos engomados de lembranças. Fomos desatando laços de nossas vidas passadas. E passando em revista nossa memória partilhada.


Minha lembrança mais nítida era a mais antiga, vinda do bairro da Barra do Rio – o lugar mais distante do Centro em que morei – nos tempos de meus 13 anos: um disco de vinil de Cindy Lauper (emprestado), notas bailarinas envolventes do Tchaikowsky perdido, o sabor mentolado de meu primeiro beijo e os distantes meninos da “pelada”... Joel, molecote, no meio da rua com os primos.
Já Joel se atreveu a dar detalhes de meu transitar, como vizinho do tempo de uma juventude por mim esquecida, com o ex marido, segundo ele, “chato” e torneios de futebol.
Lembramos da vizinha que viveu na Itália, pessoas e amigos comuns. Lembramos dos tempos e de tantas vezes que esbarramos como conhecidos estranhos.
Eu lembrava Joel menino e ele de mim mulher. Nossos ponteiros se ajustaram, mas nunca marcarão o mesmo tempo, nem o mesmo gosto. Possivelmente a alegria do encontro no palco da vida e quem sabe, no compasso de uma dança.
Assim como no romance de Aluísio de Azevedo, sem poesia ou hipocrisia, nosso papo chegou à crítica ao Capitalismo Selvagem, o desejo de um futuro de Paz e Amor e na observação de que quando todas as existências se entrelaçam e repercutem umas nas outras, é preciso prestar atenção aos bordados e a magia de seus nós.


Itajaí, 03/10/2011.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

UMA IDEIA AMARELA...



Num belo dia de Domingo ela saiu assim amarela, amarelinha, brincando de pique esconde com o Sol. O Sol se escondeu.

Brincou tanto que precisou descansar debaixo de uma árvore, embalando os pensamentos da moça bonita numa praia de boa viagem, ou na viagem dos pensamentos da moça da praia bonita...



Descansou, descansou e atravessou a rua para abraçar a velocidade.




O tempo correu, o vento soprou e a ideia amarela se apaixonou por um chapéu, encantada com seu charme: uma leve parada como a pausa de uma vírgula...



Mas ideia amarela só sossega por uns instantes, correu domingo afora para iluminar alguns caminhos e diferentes pontos de vista, procurando o Sol.




Como ideia menina o Sol não encontrou, se aconchegou no berço dos amores perfeitos. Quem abe alguém está por ela a procurar...







sexta-feira, 12 de agosto de 2011

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL - CHEGA DE SILENCIAMENTO


By outro autor... 
Olá, tenho 27 anos e sou funcionário efetivo de orgão público municipal onde trabalho na área pedagógica como guia/instrutor na disciplina de informática, porém sem certificação reconhecida pelo MEC infelizmente.
Por esse motivo, procuro sempre me aperfeiçoar mas Infelizmente o município não investe na área, acredito que por esta ser recente na educação ou talvez por mero descaso para com os seus funcionários. Felizmente temos disponiveis excelentes equipamentos e laboratórios de informática (com exceções, claro)em nossa cidade que conta com 15.000 habitantes, porém basta efetuar uma consulta rápida nos funcionários da àrea (de T.I.) no município para descobrir que não temos ninguem capacitado para geri-los e ninguém interessado em nos capacitar ou nos entregar o maldito canudo para que possamos tomar algum tipo de ação sem ser censurado ou repreendido.
Para nossa (in)felicidade, temos a "sorte" de contar com a ajuda de uma empresa terceirizada que faz a manutenção (isso inclui bloqueios a sites indispensáveis para o desenvolvimento de atividades), dependendo assim da boa vontade de seus funcionários para conseguirmos colocar em prática os nossos "planos" de aula, se é que temos algum.(Informática aplicada à Edu.).
Nós, monitores,(ou monitor, pois sou o único efetivo na rede e me desdobro para poder atender duas escolas) acabamos por levar a culpa pela má gestão, desinformação e incompetência de que quem opera e faz o "controle" (diga-se policiamento) dos laboratórios.
Gostaria com este email não só de pedir ajuda, se é que isso é possível mesmo vindo de alguém sem segundas intenções e de boa fé, mas também colocar a informação à disposição da população pois esta sim, é para quem trabalho.(ou finjo...?)
Infelizmente, roubando as palavras de um de meus superiores: é de nosso inteiro interesse e responsabilidade em "correr atrás" da nossa formação, e como em nosso país quem cala, sofre, estou procurando os meus (ou seriam seus?) direitos. E sofre mesmo, até quem através da lei de estatuto municipal e federal tem direito e dever de ser capacitado. Sim, isso inclui o seu filho.

PARA SEMPRE É MUITO TEMPO...


Nossos olhares se cruzaram por acaso. E o acaso nos levou a uma história de amor no ínterim do sonho.
Esses seus olhos tão misteriosos... Lembrança que ficará marcada em meus sonhos.

Seu sorriso branco, sua pele bronzeada, o seu cheiro inconfundível.

Nunca contamos estrelas, constelações ou fizemos contato com um “objeto voador não identificado”. Nunca fizemos planos futuros das coisas que viveríamos juntos e dos lugares que conheceríamos. 

Você me abraçava e nossos beijos vão se enchiam de desejos. Tudo tão profundo, tão sedutor e nos deixamos levar pela urgência dos nossos corpos.

Sentimos amor em nossos corações e a vontade do reencontro. Então cada um seguiu seu caminho, nos achamos e nos perdemos em nossas histórias. Vivemos em outros sorrisos, outras faces e outros corpos,   Nunca imaginei um "e se"...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

À Pessoas que fazem desse Mundo um Lugar melhor


Faz cinco anos aproximadamente, que penso em fazer um retiro espiritual e estudar a Cabala, tenho até uma tatuagem com um símbolo cabalístico; mas pouco sabia sobre a sua essência. 

Quando comecei a receber e praticar um atendimento físico/espiritual, a primeira leitura sobre a Cabala chegou em minhas mãos (a Angélica me emprestou) - é de cunho feminista (rsrs) chama-se Deus usa Batom. O interessante dessa experiência que vivo, com novas leituras e prática de vida é que o universo que sou está se modificando - não imagine que é uma onda "Boazinha", porque eu sou é uma "boazuda" heheheRolando de tanto rir; continuo achando que as boazinhas vão pro Céu e eu, sou de Luta.

Queria partilhar esse momento muito especial com você.  Ah - O uso do @ é para incluir Homens e Mulheres os artigos o e unidos. Por favor, não pensem que sou daquelas fanáticas que querem evangelizar a tod@s em prol de uma prática religiosa. Estou curtindo demais as descobertas desse momento, mesmo tendo minhas fobias, incompletudes e ignorâncias.

Sempre tive uma relação espiritual bacana com Deus, embora não concorde com muitas coisas que dizem usando Seu nome ou de Cristo; nem me conforme sempre como as coisas se dão. Tenho Fé, mesmo com os problemas que surgem e com os que não sei como lidar...

Me identifiquei com a leitura de Comer, Rezar e Amar, contudo em minha experiência, amar não significa depositar sentimentos de afeição e sexo em uma única pessoa. Amar  é para mim um exercício desafiante de aceitação que se vincula ao perdão.

Amar é  ainda agradecer às pessoas que trazem Luz e Alegria a esta existência e minha Vida. Assim eu agradeço você que me sustenta com respeito e carinho nessa constante aprendizagem que é ser humana e para você dedico uma das Orações mais belas que já fiz. 

Não importa a distância, ou a condição que nos afasta. Me sinto próxima a você por te amar. Lhe desejo um doce cheiro de chocolate quente, café passando ou calor do chá neste início de julho.

Gosto de você não somente pelo que você é,
Mas pelo que eu sou quando estou com você.
Gosto de você não somente pelo que você se tornou,
Mas pelo que você está me tornando.

Gosto de você por colocar sua mão
No meu carregado
E desconsiderar todas as coisas tolas e fracas
Que você não pode deixar de perceber,
E por trazer à luz
Todos os lindos pertences
Que ninguém mais tinha procurado o suficiente para encontrar,
Por me ajudar a fazer da madeira da minha vida
Não uma taverna, mas um templo,
Dos atos de cada um dos meus dias
Não uma repreensão, mas uma canção.
Você fez mais do que qualquer crença poderia fazer
para me fazer bem
E mais do que qualquer fé poderia fazer
Para me fazer feliz.
Você fez isto sem nenhuma palavra de orgulho, sem gesto algum de vaidade.
Fez isto sendo você mesmo.
Talvez seja isto que é ser amig@, afinal.

- Anônimo 

Beijo, Maristela Vanzuita












segunda-feira, 13 de junho de 2011

SOL


O Sol surgiu dégradé. Laranja, Vermelho, Intenso.
Descortinado pelo amor do momento, brindando os momentos de amor.
Dirigia feliz para o trabalho enquanto os raios aqueciam o gasto manto manco da BR.
Ainda não temos educação de contra turno e Lobato não é tão conhecido como deveria. Mas sonhos são possíveis e há pessoas que fazem mais da vida que se lamentar, que contar seus trocados e suas desventuras. Num dia de SOL  ganhamos o patrocínio do primeiro livro de nossa escola.

Tenho amigos que cozinham muito, cozinham para alimentar com luz e amor, para continuar nos encantando com a magia dos sabores.

Tenho amigas que escrevem e que nos alimentam de imaginação e realidade, de atemporalidade nos encantando com a magia das palavras.

Tenho amigas e amigos que educam, refletindo, nem sempre bem remunerados nos encantando com a magia do conhecimento.

Tenho amigas companheiras, irmãs que nos encantam com a magia da doação e do amor.

Tenho amigos patrocinadores, que nos encantam com a magia da generosidade.

Num lindo dia de SOL.
Tenho amigos.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

SURPRESAS - Muitas vezes escutei que eu estudava demais, que ganhava "de menos" na educação... e nesse momento em especial, perceber que a relevância de minhas atividades ultrapassam os muros imaginados por mim, faz tudo valer a pena e querer estudar sempre. É bom saber que se é uma referência nacional de educação.

Ao fazer uma busca de meu currículo de pesquisadora na internet descobri que um dos meus trabalhos está citado num curso oferecido pelo Ministério da Educação, o material é interessante e vale a pena conferir!!
Você já leu Seraphin Alava?
Fonte:Facebook.com
Professor da Université Toulouse le Mirail (França), Seráphin Alava coordena o Centro de
Pesquisa em Educação, Formação e Inserção. O autor pesquisa há mais de 15 anos a
evolução das tecnologias e seus impactos nas práticas pedagógicas. Segundo Alava, o
ciberespaço e as ferramentas tecnológicas não podem ter seu uso reduzido à
transmissão passiva de saberes. Para o autor, os dispositivos midiáticos proporcionados
pelo ciberespaço revelam a necessidade de debater uma reforma na educação.
O objetivo é a valorização da autonomia do aluno e dos métodos ativos, ao mesmo
tempo em que é o professor o principal mediador dessa ação educativa. Alava aponta
ainda o formato de hiperdocumento dos textos como enriquecedor das práticas
pedagógicas uma vez que proporciona diferentes tipos de leitura e de contato com as
informações e conduz a relações mais abertas no que se refere ao ensino e à
aprendizagem.
Para saber mais
MACHADO, Maristela Vanzuita. Resenha do Livro: Ciberespaço e Formações Abertas:
Rumo a novas práticas educacionais?. Disponível em:
[https://www6.univali.br/seer/index.php/rc/article/viewFile/747/599]. Acesso em: 17 maio
2010.
SALDANHA, Luís Cláudio Dallier. Literatura e Semiformação no Ciberespaço. Texto
Digital, ano 2, n.3, 2006. Disponível em:
[http://www.textodigital.ufsc.br/num03/luisclaudio.htm]. Acesso em: 17 maio 2010.
 Acesso: webeduc.mec.gov.br/.../curso.../baixar_para_impressao_todos_modulos.pdf

terça-feira, 24 de maio de 2011

Se as minhas mãos pudessem desfolhar


Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

Federico García Lorca

quinta-feira, 19 de maio de 2011

É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver.

 TAPAS Y CAMIÑOS DE SEVILLA...

Melancia com Gengibre

LEMBRANÇAS DE OUTROS TEMPOS...

 Tudo hoje é um pouco diferente. Não tenho mais 33, o casamento acabou, a cozinha experimental não existe mais, prefiro outras músicas. O lugar do espaço multicultural e o trabalho com as mulheres ainda habita meus sonhos, amo arte e a Gastronomia é uma das expressões mais fascinantes. Ainda quero uma casa donde eu sinta o mar. Por hora, vejo o mar todos os dias a caminho do trabalho. Às vezes esqueço que fui alguém que está adormecido em quem sou. 

Itajaí On Line Entrevista
Entrevista: Maristela Vanzuita, Chef de Cozinha”
“Faça bem feito e acredite na sua capacidade”

Perfil

Casada, dois filhos, 33 anos, Pedagoga e Chef de Cozinha, Maristela Vanzuita é uma pessoa que busca usar os seus conhecimentos para ajudar os outros.
Ela desenvolve um trabalho social na sua cozinha experimental e tem planos para criar um espaço multicultural para mulheres.

Melissa Aragão
Melissa – Você é Pedagoga, Mestre em Educação, como surgiu a vontade de fazer Gastronomia?
Maristela – Fui criada por minha avó e aprendi a ler lendo as receitas para ela. Quando minha avó foi perdendo a visão, eu tinha uns cinco ou seis anos, eu lia as receitas pra ela e fazia o pré-preparo, mas ela não me deixava chegar perto do fogão. É engraçado dizer, mas quando casei só sabia fazer ovo cozido, macarrão instantâneo e nega maluca. Sempre gostei da cozinha, mas acabei seguindo outro caminho.

Melissa – Por quê?
Maristela – Por uma questão de oportunidade mesmo. Como aluna do Magistério fui convidada para ser professora auxiliar e depois assumi uma classe. Trabalhei em sala de aula durante cinco anos. Depois nasceu minha filha, fiquei parada um tempo. Mais tarde voltei a lecionar, trabalhei com formação de adolescentes e adultos. Surgiu então a oportunidade de fazer um Mestrado, nesta altura já tinha nascido meu filho. Conclui o Mestrado. Dei um tempo nos estudos e voltei depois para fazer Gastronomia, uma paixão minha desde a infância.

Melissa – Mas você concilia hoje estas duas atividades?
Maristela – Sim, com os meus estudos na área da Educação eu me dediquei a pesquisar os problemas sociais, principalmente no que tange às mulheres. Com estes conhecimentos, aliados com a minha formação de Chef de Cozinha, eu desenvolvi um projeto para oferecer formação profissional de auxiliar de cozinha para mulheres de Itajaí, com o objetivo de dar uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho para elas.

Melissa – Você já colocou em prática este projeto?
Maristela – Com o apoio de alguns parceiros, como o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Itajaí, começamos o primeiro módulo este ano, tenho quatro alunas do Bairro Nossa Senhora das Graças freqüentando o curso. Quando terminar, elas terão toda a base de como funciona uma cozinha, desde a higienização dos alimentos, cortes, caldos base, poderão trabalhar em qualquer restaurante.

Melissa – Você se sente realizada?
Maristela – A realização deste projeto da cozinha experimental representa a realização de um sonho, mas quero mais. Pretendo ainda fazer um centro multicultural para mulheres, ensinando não só a parte de Gastronomia, mas a arte em geral. A arte te dá elementos para criar e ser mais crítico.

Melissa – Outros sonhos?
Maristela – Eu vivo o hoje, procuro desfrutar da vida no presente. Mas ainda quero morar na beira da praia, ouvindo e vendo o mar todos os dias.

Melissa – Qual conselho você daria para as pessoas que estão correndo atrás dos seus sonhos?
Maristela – Acredite na sua capacidade e faça bem feito aquilo que você acredita que pode fazer.

Melissa – Agora eu falo uma palavra e você diz o que representa isto pra você:
Comida preferida – Sopa de legumes
Lugar – Itajaí
Música – Guita (Raul Seixas)
Frase: “Vamos curtir a vida, viver o presente”
Amor – Minha família
Sucesso – O tempo presente
Trabalho – Realização

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ESPUMANTE COM HORTELÃ

Para Carlos Serafim, Nani e Rodrigo: 

ESPUMANTE COM HORTELÃ

O mar, a Luz, seu Reino.
Não esperava por tudo... Sou pequena e resisto a grandezas.
Companhia, simplicidade e sofisticação. Meu sonho que ele soube no amanhã...
O Espumante, menta e Hortelã... Frutos do mar. Seu magnetismo e sedução.
A Cozinha.
As Estrelas.
Pink Floyd.
Borbulhas.
O momento... Realidades... Um Anjo...
Roma 2010 - 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

HISTÓRIA DE AMOR

Ciclos... Vida nova emergente, esperança. Há dois, amor. Amanda e Claudinho, originalidade, amizade, partilha, beleza.

Nosso trabalho, como me disse uma italiana certa vez: "siga il lavoro de tu core"... sigo. Su, Tai, Jr, Pati, Ande, Adriane, Betina, Adriana, Kátia... Todos.

A paixão em fazer parte de uma linda história de AMOR!!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CONTO URBANO

ABBA – BRACADABRA: DIÁRIO DE AGNETHA QUE PODERIA SER SAMANTHA

QUERIDO DIÁRIO
Não consigo pensar nas temporalidades lineares já que os acontecimentos são emergentes e o passado se torna incerto no “Long Play” da memória. Minha primeira calça jeans não foi a mesma que ganhei da tia; vovô não perdeu seu dedo no dia que choveu, para minha prima foi em janeiro com certeza. Há sempre um outro jeito de acontecer. Acontece.
A verdade é que às vezes, quero transgredir as convenções. Já ouvi falar de história oral, processo histórico e história do tempo presente, minhas narrativas são do cotidiano insano que é a vida de muitos de nós. Então, o particular é um infinito de profecias que nos faz pensar: o que sinto, o que vejo, os outros sentem e vêm?
Freud e catarse. Psicografia. Falar, escrever, ler são necessidades para não esterilizar o pensamento. São necessidades para rir do sofrimento e entender melhor a vida. É poder compartilhar com um ser objetivo/subjetivo – que é o diário - as vivências, expectativas e malogros da civilidade.
As particularidades podem ser compartilhadas e alguém não se sente tão só nas trilhas individualistas do contemporâneo e na sociedade do espetáculo, aonde o privado é se tornar um personagem público de si mesmo. As personalidades múltiplas já não são mais um transtorno psiquiátrico, mas um meio de sobrevivência social – O Alienista de Machado de Assis, que nos informe melhor.
Coisa simples a sobrevivência?
Cheguei de viagem ontem e as palavras saíram das pedras rupestres. Gosto de pedras, um dia li a crônica de uma colega que chegou a pensar que podia ser uma. Gosto de comida em panela de pedra. Gosto de massagem com pedras energéticas.
Tanta vida. Toda a arte na guerra de ser mulher. Toda a disciplina em simplesmente ser.
Cansei de choros no chuveiro, mas não de dançar de pijama ao som de um hit passado. Faço lutas de travesseiro com meus filhos e lhes canto cantigas de ninar. Trabalho, namoro e já tive muitos amores em minha vida. Já levei alguns foras e nunca fui a Garota do Fantástico, nem namorei ministro francês. Pensando bem, meu francês é péssimo. Adoraria fazer amor escutando poesia francesa. Já o fiz ao som de música francesa, italiana e em inglês com um alemão em Marrocos.
Me encrenquei com uns caras por ter ganhado bonecas e não carrinhos para brincar quando pequena. Nunca quebrei perna, braço e espelho, quem sabe um dia coloque gesso só pra você assinar.  Ou seja possível uma reviravolta na sorte. Sempre achei a Suzy mais bonita que a Barbie.
Quando pego um jornal leio a notícia da capa, o horóscopo, a seção de política e o obituário. Adoro quadrinhos, bolhas de sabão e praia. Amo meus filhos e às vezes preciso de férias de tudo e todos.
Alguém já avisou que Cuba não é mais o sonho comunista? A mãe de Liesel Meminger sumiu. Na Argentina homossexuais podem casar e minhas relações hetero são eventuais. Marco os verbetes novos que procuro no dicionário. Faço palavras cruzadas. Releio as coisas que escrevo, sou obsessiva por corrigir as vírgulas, os inícios de parágrafos e os pontos finais. Meu português não é perfeito e ainda não me adaptei ao novo acordo ortográfico. O tempo corre e as novas informações nem sempre estão em prática.
Tenho amigas e amigos e não empresto mais dinheiro que não posso doar. Já magoei pessoas que amo e fui magoada por outras que mal conheço. Minha irmã é uma estranha e mamãe nunca nos vestiu igual.
Escuto de “Time of my life” só para ouvir a voz de  Patrick Swayze. Tenho um pôster do Tom Cruise em Top Gun e da Penélope Cruz em Volver. Adoro “Todo sobre mi Madre” e queria ser arranhada pelo Wolverine – só de leve. O Gabeira não usa mais tanga e esqueceu de fazer política. A maconha detona neurônios ou a ambição oprime os ideais?
Permita que você me conheça, posso vir a ser o amor da sua vida, a vizinha ao lado, alguém pra te ajudar ou que possa contar com sua ajuda.

1 – Minhas Origens
Nasci na ditadura e cresci na utopia da democracia. Sou de um país emergente em que os “novos miseráveis” compram TV de LED, fazem empréstimo consignado e viajam em cruzeiros, nunca escutaram sobre Jean Valjean. Me chamo Agnetha, a “Chiquitita” do papai, se fosse homem seria Fernando e você já deve imaginar porque... Também podiam ter me chamado de Samantha já que os coroas se amarravam em tele seriados.

Sou das massas, sou do povo e estudei em escola particular. Tentei casar, tentei cantar, tentei dançar e virei atriz social: filha, mãe, mulher, neta, sobrinha, tia, profissional; vez ou outra, eu.

Já casei duas vezes, namorei outras tantas e não lembro do último beijo que dei. Será que foi no roqueiro ex padre? Ou no parapsicólogo israelita? Já fui musa pra pintor de parede; inspirei um escritor e ouvi música de outros festivais. Já recebi flores de plástico de um político e santinhos para distribuir.

Me batizaram como filha de Xangô e Oxum, sou feita para o amor, nem sempre tudo posso doar. Pra além dos orixás, a vida às vezes é um tédio, então escrevo pra curar a ressaca. Minha mãe é uma sufragista e meu pai um navegante. Acabei por nascer “porra loca”. Sou escritora. Tenho dois filhos, que graças a Deus são homens: custam menos, são mais práticos e não têm visão periférica. Cada filho tem um pai e cada pai é o mesmo para seu filho: os vêm a cada quinze dias e pagam pensão alimentícia pra não ir pra cadeia. Minha vida é Severina.

Não vendo voto, não compro ouro e participo de algumas correntes na internet. Já vendi meu corpo por um SPA numa metrópole, um casaco importado, um perfume de grife famosa e gozei o lucro. Coloquei silicone, fiz lipo e os terríveis quilos a mais insistem em me atormentar. Não sou santa, nem sou bruxa e se faço alguma magia, nunca consigo que ele me ligue na hora que desejo.


2- Meus Sonhos
Sonhei ser loira e surfista, presidenta, ou quem sabe surrealista, fiquei estática sem pintar a minha dor. A “maçã” é minha preferida e Raul não a toca mais. “Sutilmente” me torra a paciência e vou querendo “Rosas” com Seu Jorge cantando pra mim. Fui apaixonada pelo Rick Martin e ainda acho seu rebolado o mais sexy.

Tento escapar ao Sex and the city, mas as pontas dos meus pés coçam mais que o limite do cartão pedindo sapatos – quero trezentos pares. Já fiz progressiva, pilates e menti a minha idade – não por vergonha, só por mau costume. Tentei entrar pra uma religião Zen, só sei rezar ao “Santo Anjo”.

Xinguei uma pessoa honesta; briguei com um desequilibrado e bati em cachorro. Não curto violência, embora um tapinha no bumbum me deixa um tanto excitada. Já me chamaram de cachorra, de safada e de tarada e nem sonhei fazer BO por isso. Já roubei uma flor, mas nunca um beijo. Já desejei ser a mulher do próximo.

Pintei meus cabelos de vermelho, minha raiz morena latina e a falta de glamour não me deixam ser Gilda. Descrevi tantos cenários que no meu imaginário: Vale dos Vinhedos tem o Elevador Lacerda e parece um quadro de Dalí.

Ontem tomei Tequila, fugi de meus filhos e atropelei um gato que não gritou miau. Acordei na noite escura e acendi todas as luzes com medo de barata.

3 – Minha Realidade

Queria ser como Allende, parar dez minutos com o Coelho ou indicar a cura como o Cury. Nunca publico o que escrevo, na verdade sou corretora de textos técnico-científicos. São artigos e mais artigos com mais de dez páginas, trezentos caracteres de resumo, que iniciam geralmente com pronome definido e têm, dizem, alguma relevância social.

Não quero conhecer mais nenhum homem diferente, nenhum cara novo e não tenho saco para cantadas clichê. Já passei esmalte na meia calça e assaltei a geladeira à noite. Outro dia enfiei um bombom todo na boca para não dividir com ninguém. Xinguei o juiz, o jogador e o presidente; achei um absurdo o preço do combustível.

Me torra a paciência saber que pago pra beber, pago pra comer, pago pra respirar e pra evacuar. Pago pra trabalhar, pago a babá e o motel, se precisar. Dinheiro não traz felicidade, mas embeleza a vida. Principalmente depois da primeira garrafa de vodka. A noite me chama e no boteco há boemia. Não tenho gato, nem cachorro e acho um crime passarinho em gaiola. Até hoje o tio Lilico, irmão do tio Leléco não sabe que fui eu quem soltou seus canarinhos.
Já fiquei seminua na praia. Tirei erva daninha do canteiro e tentei virar maconheira, nem cigarro sei fumar. Sou viciada em paciência e Playstation. Fiz mais de 2500 pontos no Guittar Hero. Não curto esporte de contato e acho lindas as pernas do Adriano.

Estudei uma nova filosofia e quase pirei ao descobrir que Maria não é mais virgem, que Jesus ficou com a Madonna e Madalena doce pode ser comida ao som de um samba de mesmo nome. Sou uma avatar de minha geração só não consigo me lembrar com que roupa eu vou pro samba que você me convidou.

Desci as escadarias do destino e lá no meio estava a doce flauta de Hamelyn a me guiar pelo apocalíptico mar do imposto de renda. Ah, a esperança da terra prometida exaltada por louvores à previdência privada. Ter pai pobre é destino e o marido rico entrou em extinção.

Sonhei em investir na bolsa, mas o melhor que consegui foi um moedeiro com adesivo Dior. Ainda quero uma Custom e cair na estrada de couro preto, bota cano médio e caveirinha no anel. Por hora fico olhando meus guris apreciarem as voltas das motocas no globo da morte. VIDA louca VIDA: já que não posso te levar, quero que você me leve.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

PRIMEIRO DE ABRIL: SEM MENTIRA, NEM SEGREDOS – TALVEZ MISTÉRIO

Hoje acordei angustiada e das janelas do quarto só contemplava um mundo estranho. Liz Taylor se foi e não vou mais encontrar seu reinado cor violeta. Trabalho num paraíso, maquete do Jurassic Park. Não existe educação de contraturno, os pais precisam trabalhar, o ECA reclama o abandono, não há com quem as crianças ficar. Sinto pelos meninos marginais e o Chapolin Colorado não defende ninguém. Sou uma alienígena e não consigo contato imediato com os meus pares. Onde está Luke Skywalker e a “Força” para estar comigo?
O Alencar descansou; passou a polêmica e a contradição e os segredos do fiar, se fiaram nos entrelaces escusos do mensalão. O povo esquece e eu, um dia esquecerei. Uma legião urbana e os reconheço... não encontro minhas asas, não consigo voar... A dúvida cruel do tornar-se: chegou a hora da morte para a renovação da vida, está difícil encaminhar-se ao casulo; então devo curtir os chocolates na Páscoa?
Querem instalar a usina em Pernambuco, Célia alerta da ameaça e dizem para eu parar de reclamar das hipérboles. O jogo do contente já não me é mais familiar. Há tempos que liberei Pollyanna do solário e cortei os longos cabelos ruivos de María de Los Ángeles de García Marquez. O amor é um demônio.
Ainda me encanto com seu sorriso e admiro seu talento. A cozinha. Os detalhes. Meu anel numa bancada fria que saiu do esquecimento. Pode me iludir no papo de ferro de passar... sou feminista e não faço muita coisa pra te contrariar. Quero fugir para a praia deserta e fazer amor sem telepatia, sentindo as borbulhas de uma Clicquot gelada, mascando folhas de hortelã.
O coração ainda bate, o vento sopra, o dia avança e não encontro meus sapatos cor carmim. Levei para arrumar minhas botas espanholas, mas as castanholas não tocam aqui... Quero sentir o enternecimento do tablado, a vida pulsante do flamenco e o sofrimento dos cânticos do amor longínquo.
Quero banhar-me nua de sol e nadar até dar ao pensamento um pim estalado num mergulho surdo. O tsunami dos traumas e do cotidiano insiste em me afogar por completo. Estou cansada, mas resisto. Preciso flutuar em bolhas de sabão cheirando a cigarro e café numa esquina portenha qualquer. Quero finalmente dançar um tango e me perder de paixão. Preciso arrumar as gavetas de memórias, os livros, as receitas e a furadeira que o avô me deu. Preciso comprar uma cama nova pra minha filha, a Playboy de meu filho e uma tripla dose de morfina. Não quero sentir mais dor.
Preciso do descanso dos justos, do salário dos excelentes e da mente que cultiva “O Segredo”. Quero o acalento da mediocridade, a ignorância dos pobres e o poder dos ricos. Nada, nada tenho; nada me espera; o que há no porvir? Quero ser a garota de um outdoor de uma balada universitária, mas os anos passaram e esqueceram de me avisar.
Quero uma instituição para os meninos, assistência para as mães e alegria na escola. Quero cozinhar e que minha comida seja comemorada. Quero acreditar na criatividade e no aborto da usina em Pernambuco. Quero uma política mais moral e eticamente sustentável. Preciso dormir e sonhar para saber onde está a estação da esperança; talvez lá eu seja abduzida por um terráqueo ou encontre o caminho de casa antes de 2012.